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Minha ignorância quanto aos quadrinhos nacionais

Escrito por | Quadrinhos


Tenho que me retratar sobre minha ignorância quanto aos quadrinhos nacionais.

Mas um dia do quadrinho nacional veio e eu não tive o que falar. Marvel e DC arrumo a todo tempo e de maneira bem rápida, só avalio a relevância mesmo… Mas a produção brasileira é diferente e preciso me retratar sobre minha ignorância quanto aos quadrinhos nacionais.

Aprendi a ler e a gostar de quadrinhos americanos e de super herói. Algumas coisas alternativas, indies ou fora de temos super poderosos me interessam também, mas são poucos os que me agradam mesmo. Mas esse é meu gosto, não estou falando que é ruim ou bom, se é pior ou melhor, é apenas meu gosto pessoal.

Entenda bem, não sou novo e a fase que mais comprei quadrinhos foi na década de 90. A Editora Abril, a Editora Globo e outras menores como Metal Pesado, Devir e Companhia das Letras chegavam com diversos lançamentos. Porém a produção era norte americana.

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Nessa mesma época diversos artistas nacionais começaram a trabalhar no mercado americano deixando tudo bem claro: se você quisesse viver de quadrinhos precisaria trabalhar para as editoras americanas. Veja Mike Deodato Jr., por exemplo, o desenhista não teria metade do reconhecimento hoje se seu trabalho fosse restrito ao Brasil da década de 90.

Capitão Ninja, Holy Avenger são exemplos que não tiveram sucesso financeiro e, obviamente, foram cancelados antes que pudessem atingir seu potencial. Combo Rangers entra nessa conversa? Não sei… Discutimos isso outra hora.

Em 2016 publiquei Dia do Quadrinho Nacional: o que comemorar? sem saber o que acontecia por aí. Sim o salto é de duas décadas e a minha ignorância quanto aos quadrinhos nacionais tem nome e sobrenome: o poder público.

“Quem faz quadrinhos faz porque ama, porque não paga tão bem quanto outras mídias de desenho, como as pessoas que fazem storyboard”

Mike Deodato Jr.

Não importa a sua orientação política, nenhum governo nunca expôs interesse sobre incentivos para a publicação de histórias em quadrinhos nacionais. Por isso que diversos Fabio Moon e Gabriel Bá nem ficam conhecidos, afinal o único mercado que os agracia como merecem é o norte americano.

A “nova” Heavy Metal não conta e, obviamente o fator Brasil sempre complica tudo. A Panini Comics, maior editora no Brasil no momento, Só publica algo nacional por estar ligada à Maurício de Sousa Produções que vende até visitas ao seu estúdio (escritório? sei lá).

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Detalhe, não estou reclamando da qualidade, mas da quantidade de publicações. A quantidade de artistas aprovados para fazer um projeto na MSP é minúsculo perto da quantidade de produções independentes.

Minha ignorância quanto aos quadrinhos nacionais é referente a produção independente de diversos quadrinhos de EXCELENTE qualidade aqui no Brasil. Esses artistas só conseguiram seu espaço hoje graças ao sucesso de alguns eventos de quadrinhos e, principalmente, à internet (coisa que não existia na década de 90 por exemplo).

Minha atual paixão é Bear da Bianca Pinheiro, comprei para minha filha por ela adorar ursos… Agora aqui em casa todos estão apaixonados pela história.

Outro autor que gosto muito é o JEFF, autor do Rei de Lata. O traço do cara é uma das coisas mais linda que já vi, queria desenhar igual! Sua HQ é totalmente digital e conta com uma campanha de financiamento para o rapaz continuar com seu trabalho.

Ainda não sei se estou surpreso ou assustado com o ótimo Gibi de Menininha: Histórias de Terror e Putaria (recomendado para maiores de 16 anos). Uma HQ com um tema fortíssimo feito por Germana Viana, Carol Pimentel, Roberta Cirne, Clarice França, Ana Recalde, Milena Azevedo e Camila Suzuki. Esse gibi vai fazer muito meninão chorar ainda viu.

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E… acabou por aí? Bem, do que conheço e posso indicar sim. Infelizmente. Mas agora está na hora de eu ser mais xingado… A culpa não é só da minha ignorância quanto aos quadrinhos nacionais, os artistas parecem que tem medo de divulgarem seus trabalhos.

Desde sempre o Blog Farofeiros está aberto para a divulgação de tudo que achamos que é de interesse de nosso publico. Nunca recebemos uma HQ digital para ser avaliada e fazermos um artigo de review por exemplo… E não, não estou falando que o autor tem que me pagar. Estou falando que leio o gibi e faço o artigo sem custo algum para o autor, e sabe quantos já enviaram?

Isso mesmo, nenhum.

Os que recomendei aqui são alguns que conheci tropeçando em livrarias ou pelo Twitter mesmo. E não estou sozinho nesse quesito.

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Então, nobre amigo ou amiga gibizeiro, se você quer fazer sua arte aparecer não tenha medo, não precisa mandar presente nem pagar uma grana, mas mande pelo menos um link do seu trabalho que fazemos o review com todo o carinho e publicamos. De graça.

Eu e muitos outros leitores estamos loucos para conhecer seu trabalho, mas você tem que mostrar ele.

Tô cansado de só falar de Marvel e DC. Me ajuda!

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Última alteração: 1 de fevereiro de 2019

2 Responses to :
Minha ignorância quanto aos quadrinhos nacionais

  1. Marcelo disse:

    Olha, poder publico? No final da matéria é exposto claramente que a falta exposição e engajamento de marketing por parte dos quadrinistas é culpa da falta de conhecimento dos quadrinhos nacionais. Isso eu concordo plenamente.

    Eu sempre comprei quadrinhos nacionais, a partir do momento que tive condições financeiras para tal… o que eu vejo é exatamente o mesmo que você quando diz que precisa de indicações. Eu acompanho diversos sites especializados e vivo em comicshops e eventos de quadrinhos, são muito poucas as resenhas, os pré-lançamentos ou coisas do tipo para materiais nacionais que são amplamente divulgados.

    Muito recentemente, alguns youtubers estão conseguindo resenhar material nacional com uma boa velocidade em relação ao seu lançamento, ainda assim, acabo adquirindo muita coisa “no escuro”… e a maior parte delas em eventos, diretamente das mãos dos quadrinistas.

    Falta dinheiro privado neste mercado, as pequenas editoras não tem tanto dinheiro para investir em publicidade, acabam investindo somente no material, acreditando no nicho (do qual eu faço parte) para poder vender suas tiragens pequenas e sobreviver.

    Tenho uma boa indicação de material nacional “Delirium Tremens de Edgar Allan Poe” é um lindo lançamento da editora Draco, que juntou quadrinistas feras pra contar várias estórias de terror num encadernado lindo… mas a Draco é uma editora pequena e com pouca grana pra investir… o quadrinho é caro.

    Agora uma coisa que eu fico pensando… será que o público leitor ainda acha que quadrinho nacional é tudo “comborangers”? *Nada contra…

    1. Rockerz disse:

      Concordo em tudo com você. O que acho que funcionaria (não que eu seja um especialista no assunto) é que o poder público desse algum incentivo específico para esse tipo de produção.

      E valeu pela indicação, Edgar Allan Poe é um dos meus autores favoritos!

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