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Mass Effect – O que comemorar no N7?

O que temos para comemorar no N7?

Sou mais um fã de Mass Effect comemorando o 7 de Novembro, dentro de tantos jogos e anos de histórias emocionantes, frustrações, tiros e uma raça cibernética alienígena que deseja dizimar o universo. Para este ano queria criar um conteúdo especial, talvez um episódio do podcast falando da história, talvez um vídeo ensaio… Mas só tive mesmo tempo para escrever um texto para pensar se tem algo para comemorar no N7.

A Eletronic Arts e a Bioware criaram um universo extremamente envolvente, mas isto não impediu de que problemas fossem criados também. Racismo alienígena, relativação de genocídio, machismo e fetichismo são questões importantes que impregnam o roteiro e a jogabilidade da franquia. Talvez o sucesso desta ficção científica se dê por isso mesmo, afinal são problemas encontrados no nosso dia a dia. As soluções por vezes acompanham consequências boas e ruins.

Mass Effect - O que comemorar no N7 - Blog Farofeiros

O poder de escolher e constatar as consequências dela é algo que chama a atenção neste game. São horas e horas de exploração, tiros que culminam em escolhas que podem definir o destino de uma raça inteira e do universo. Tanto poder e uma história complexa transformaram Mass Effect em uma das melhores franquias de ficção científica dos games por colocar o jogador no papel de salvador do universo – de acordo com seus princípios e com a possibilidade de falha.

Infelizmente estamos falando de uma propriedade intelectual administrada pela Eletronic Arts que, entre tantos outros, matou SimCity e enterrou Anthem. Com Mass Effect é diferente, após o lançamento catastrófico de Mass Effect Andromeda os planos para DLC e até atualizações foram cancelados.Coube assim à comunidade a criação de mods para resolver problemas do jogo, mas nada salvou a história capenga. 

A seguir comento alguns pontos de toda a história, tanto dos jogos, como dos quadrinhos e livros, do universo de Mass Effect para, enfim, concluirmos se há algo para se comemorar no N7 em 2021. Os nomes foram mantidos em inglês já que a adaptação do jogo ignora a língua portuguesa.

A história de Mass Effect

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Não há dúvidas que Shepard é a personagem principal do jogo, não podemos discutir isso. Mas a história o coloca por vezes apenas como um peão em um tabuleiro complexo onde os Reapers e Illusive Man jogam com o destino do universo. Mesmo assim, não podemos falar que Mass Effect se trata da história deles, mas sim de como o universo lutou contra algo que ele mesmo criou.

A cada 50.000 anos os Reapers, inteligência artificial criada pelos Leviathans, ressurgem para dizimar toda via orgânica da galáxia. Graças aos mass relays criados pelos universo fica menor, sua capacidade de transportar massa física de maneira instantânea pelos diversos portais distribuídos pela galáxia une raças e guerras.

A inteligência artificial Reaper entende que as civilizações sempre irão criar inteligências artificiais e estes por sua vez sempre irão destruir seus criadores. Como tentam salvar de uma maneira psicopata o universo, preferem criar pânico e destruição para que os orgânicos tenham alguma chance depois de alguns milhares de anos depois.

Outras raças extremamente avançadas, como os Proteans, chegaram a descobrir a Citadel, mas isso não os salvou da destruição dos Reapers. Na era moderna a primeira raça a descobrir os mass relays e a Citadel foram as Assari, seguidos dos Salarians… Tudo poderia ter seguido melhor mas a falta de diálogo com Krogans, criando o Genofade, a esterilização em massa da raça. Os Turians se tornaram aliados, mas criaram uma guerra ao atacar humanos ao acessarem um Mass Relay proibido. Enquanto isso, os Quarians criaram os Geths para serem serviçais sintéticos e selaram seu destino em uma guerra com uma inteligência artificial que eles mesmos criaram.

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E só depois de tudo isso os seres humanos entram para a história da galáxia em 2070,  mas é apenas em 2183 que a história do game começa com os Geth atacando colônias humanas. Este é o palco inicial para a introdução de um dos personagens chave de toda a história de Mass Effect: o Illusive Man.

Jack Harper sofreu indocrinização (processo que torna o ser orgânico em um híbrido de máquina obediente aos Reapers) através do Arca Monolith durante a guerra entre humanos e turians. Foram feitos experimentos a fim de saber o que acontecia realmente nesse processo de ressurreição. Tal acontecimento é chamado também de “acelerador de evolução” e foi utilizado por Saren (antagonista do primeiro jogo) afim como uma religião para controlar seus fiéis (segundo os quadrinhos DISCOVERY –  Mass Effect The Complete Comics). Estavam, na verdade, criando huskys, uma infantaria de seres robotizados e sem memória.

A morte de Saren não atrasou os planos dos reapers e, já em Mass Effect 2, Shepard sofre um atentado e “praticamente” morre. Graças à organização Cerberus, chefiada por Illusive Man, o(a) comandante é reconstruído pelo programa Lazarus. Revivido Shepard aceita trabalhar para Illusive Man, afim de encontrar uma solução para ataques dos collectors à colônias humanas..

Toda a história converge para 2186, quando os Reapers decidem atacar a Terra em Mass Effect 3. Graças à Shepard uma arma chamada Crucible é construída, mas isso não impede a invasão e as mortes. Pensando no pior é criada a Andromeda Initiative que literalmente criou arcas com todas as raças em direção à galáxia de Andromeda (mais precisamente a Heleus Cluster), em uma viagem de 600 anos para continuar a civilização longe da Via Láctea que seria dizimada pelos reapers mais uma vez.

O final de Mass Effect 3

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Apesar de Mass Effect Andromeda se passar 600 anos no futuro, não há nenhuma referência ao que teria acontecido ao final de Mass Effect 3. Isso acontece pois há escolhas ao final do game que dizimam a civilização ou criam uma forma de vida universal híbrida entre sintéticos e orgânicos. E essas foram as catalizadoras de diversas teorias… Até a confirmação de que haveria um Mass Effect 4.

São cinco finais que podem ser alcançados ao final do game:

  • Destroy (vermelho): Shepard destrói os reapers e toda a forma sintética da galáxia, inclusive seres como os geth ou com próteses cibernéticas sofrem com esta escolha. Os Mass Relays também são destruídos também.
  • Control (azul): Shepard se sacrifica para se mesclar com os Reapers e controlá-los. Neste final vemos que os vilões são usados para reconstruir a galáxia.
  • Synthesis ou Merge (verde): mescla toda a vida orgânica e sintética da galáxia evitando que os Reapers continuem o ciclo de destruição da vida orgânica.
  • Refuse (recusa): Shepard simplesmente se recusa a tomar uma decisão e o ciclo de destruição da vida orgânica dos Reapers continua.
  • Final Perfeito”: Diferente dos outros finais este é o único que dá a possibilidade de Shepard continuar vivo. É uma versão alternativa de Destroy e mostra uma cena adicional onde pode-se ver Shepard respirando sob escombros da Crucible.

A teoria melhor formulada – e mais maluca – é chamada de Indocrination Theory e coloca que tudo o que Shepard faz é em favor dos reapers desde o início. Porém os autores já confirmaram que ela não é real, assim continuamos a especular – mas é fácil imaginar uma continuação seguindo o “final perfeito”.

Existe uma teoria que dá outra visão simplesmente ao se concluir Mass Effect 3. No vídeo abaixo são colocados os três finais originais um ao lado do outro, mostrando apenas que o final da história sempre será o mesmo. Sem mencionar o fator “técnico” que são o mesmo final com cores diferentes…

Mas sabemos muito bem que uma série desse tipo só poderá avançar com mais tragédias e que o ideal seria que a síntese fosse a escolhida. Mas Shepard é apenas mais um ser humano raivoso que não sabe no que se meteu exatamente, neste caso quem pode julgá-lo? Na primeira vez que terminei o game destruí tudo sem dó…

Tem o que comemorar no N7?

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Todo dia 7 de Novembro penso em algo para escrever, mas fico reticente em homenagear uma propriedade intelectual da Eletronic Arts pois sei que outro Anthem ou um novo Mass Effect Andromeda pode estar próximo de ser lançado. Seus sistemas de monetização inescrupulosos e o descaso com franquias amadas me entristece…Mas não deixo de ser fã.

Talvez as discussões e as teorias sejam parte dessa paixão que nutro pela franquia, sem mencionar que, por diversos motivos, o terceiro game é o meu favorito. Foi pelo menos satisfatório ver que Illusive Man tem o mesmo destino de Saren. Essa é a história toda é de Shepard ou dos Reapers? Paragon ou Renegade? Esquerda ou Direita Mimizenta? Tudo termina no final de Mass Effect 3? Qual será o futuro de Shepard? Como vão fazer Shepard reviver? Vai ter um clone ou filho do Shepard?

A resposta é simples: não sei. Mas sei que odeio a Eletronic Arts por ferrar com diversas coisas que gosto.

Por Rodrigo Castro

Guru de bobajada, coach de piadas sem graça e sommelier de ironia. Também é leitor de gibi e jogador profissional de videogames no easy.

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