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O Legado de Júpiter da Netflix

É, pois é, a série de O Legado de Júpiter da Netflix poderia ter sido diferente. Bem diferente… O showrunner original da série, Steven S. DeKnight, normalmente é competente no que faz, como vimos na primeira temporada de Demolidor na Netflix, por exemplo. Mas Steven abandonou seu cargo de showrunner, mantendo-se como produtor após divergências criativas .

O resultado é que o gibi de Mark Millar é muito melhor – e diferente – do que se vê na série. A escolha por este norte distante dos quadrinhos, isso não se mostrou uma boa escolha em minha humilde opinião. Os quadrinhos serviram apenas como uma inspiração distante e opaca para uma série que não trás metade do desenvolvimento da trama que deveria.

Amo o trabalho de Mark Millar e é inegável sua influência na cultura pop nos dias de hoje. A formação dos Vingadores do MCU e até Logan nos cinemas se inspiraram em seu trabalho nos quadrinhos. Material para criar um universo próprio de super heróis a Netflix tem, e muito, graças à compra da Millarworld. Só que O Legado de Júpiter da Netflix não é um bom exemplo disso.

A seguir a crítica partirá para pontos específicos da série que poderão trazer spoilers do que ocorre – ou não – na série do Netflix.

Apesar das minhas críticas pesadas existem pontos positivos, a caracterização é boa – apesar do aplique de cabelo irritante de Utópico – os uniformes e os personagens são bem fiéis aos quadrinhos e até ao traço de Frank Quitely. Sim, são exagerados, mas estamos falando de super heróis que ganharam poderes de alienígenas, como não ser exagerado, não é mesmo?

Mesmo com uma clara economia nos efeitos especiais a série não é ruim por conta da falta de efeitos ou maquiagens (ou aplique) convincentes. O buraco gigante fica com a história que além de divergir dos quadrinhos é muito ruim.

Abordar se super heróis devem ou não matar é algo pertinente, porém diversas outras séries abordaram o tema de maneira interessante, mas não é o caso de O Legado de Júpiter da Netflix. The Boys e Invencible tem histórias profundas e transcorrem muito bem pelo tema, tanto na série como nos quadrinhos. Por qual motivo mudar totalmente a história? Não se trata de uma adaptação ou ajuste para uma nova mídia, é mudar a história para se tornar mais atraente para um público que não são os fãs dos quadrinhos.

Mesmo com algumas semelhanças com o quadrinho o Legado de Júpiter da Netflix não aborda os mesmos temas e descaracteriza totalmente a maioria dos personagens. E nesta falta de caracterização falo da persona e não do visual de cada personagem. E este é, infelizmente, o principal problema da série. Transformaram uma história original em algo excessivamente simplista.

O quadrinho é dividido em dois volumes, cerca de 12 quadrinhos no total no padrão norte-americano. Mas os oito episódios da primeira temporada apenas usam alguns diálogos da série original e chuta para a Lua as desavenças, brigas e intrigas que aprendi a gostar nos quadrinhos. Como fã queria ver aqueles momentos na tela e não os músculos do Brandon Sampson de castigo enquanto ele crava pilares de uma cerca em sua fazenda. A impressão que tenho é que a Netflix resolveu mudar tudo para agradar apenas o público de séries de sua plataforma e falhou miseravelmente em entregar algo interessante e inovador como o gibi.

Hutch da série, o ator Ian Quinlan, tem uma semelhança assustadora com outro personagem que não apareceu – mas nem sei se irá aparecer – na série o Repro. Nesta parte também vemos uma interessante batalha de Raikou com uma série de outros superpoderosos que também nunca irá acontecer na série (se for renovada).

Mas Brandon é realmente a pior mudança que poderiam fazer, posso afirmar que ele está no centro da mudança de foco da história. Ele é personagem que odiamos desde a primeira página dos quadrinhos e aqui é bem amável. Na verdade você sente uma pena genuína dele. Mesmo ignorado pelo pai você acaba criando simpatia por ele e assim fica claro que o garoto não irá cometer as mesmas atrocidades que chamam tanto a atenção em sua versão impressa.

Realmente não sei onde colocar a culpa de minha frustração com a série. Tinha tudo para ser algo impressionante mas se tornou algo pouco expressivo e apenas mais do mesmo. Bem diferente dos quadrinhos de Mark Millar… Com isso já estou preocupado com A Ordem Mágica que também prometia ser algo surpreendente na Netflix.

Talvez a segunda temporada me surpreenda… Se houver uma segunda temporada.

Por Rodrigo Castro

Guru de bobajada, coach de piadas sem graça e sommelier de ironia. Também é leitor de gibi e jogador profissional de videogames no easy.

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