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Luxo, regalias e firulas

Farofeiros e farofeiras,

Não sou rico, não sou pobre, sou daquela classe média que se mata vinte anos para comprar um apartamento e bate no peito com orgulho falando disso sem declarar que quase paguei quarenta porcento a mais de juros sobre o valor do meu imóvel. Mas é meu. Costumeiramente sobra um rico dinheirinho para me afagar, seja com um presente fora de época, seja com algo inútil, seja com alguma reforma ou até um restaurante mais caro, daqueles que você não poderia pagar se fosse lá todos os dias. Não se preocupe, eu tenho minha reserva mensal garantida que vai para alguns fundos que pesquisei bem antes de contratar.

Este afago normalmente é algo cheio de regalias, algo que não estou acostumado a receber em minha rotina. Confesso que o luxo e as firulas são poucas e limitadas. Na verdade acho até triste acharmos comum que ser bem tratado seja mais uma questão aquisitiva do que de educação propriamente dita. Pior ainda é quando o lugar cobra R$ 7,90 e a pessoa que te atende reclama e faz corpo mole quando você pede o segundo misto quente.

Luxo para mim não é ter um lençol de seda bordado por monges de Pandaria com fio tirado das lágrimas de crianças Orcs. Luxo, para mim é ser bem tratado, bem recebido, bem acomodado independente do valor pago. Vou me limitar a falar do nosso país pois estamos prestes a receber o mundo por conta das Olimpíadas e tudo o que penso é na quantidade de potenciais clientes ficaram tristes e desgostosos com as promessas que fizeram e o que realmente viram.

O termo “para inglês ver” já explica muito disso, fazer algo apenas para o turista achar que está tudo certo. Aliás o brasileiro é campeão em gentileza com segundas intensões, culpa do dólar eternamente alto.

Mas me perdi mais uma vez no texto, só queria falar que gosto de gastar um pouco mais em um ambiente mais requintado. Também queria falar que todos deveriam ter essa possibilidade, de chegar perto de almejar algo melhor do que tem e até sentir o gosto daquilo uma vez por mês. Desigualdade econômica explica uma parte do problema, a outra parte fica por conta do alto preço necessário para ser tratado com cordialidade e educação.

Fiquei tão deprimido agora que voltarei ao meu misto quente em silêncio.

Pensamento do Dia: “Offline é o novo luxo.” Eu sou luxuoso.

Por Rodrigo Castro

Debochado, inconveniente, guru de bobajada, coach de piadas sem graça e sommelier de ironia.

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