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E o Bolsolão do MEC hein?

Você viu o Bolsolão do MEC? Nem eu.

O Ministério da Educação, ainda na gestão de Milton Ribeiro, autorizou a construção de 2 mil escolas. Para um incauto, que desconhece a situação das escolas brasileiras, essa seria uma grande vantagem, um benefício às camadas mais baixas da população.

Mas para quem manja um pouquinho do tema, sabe que isso não passa de uma promessa para fins eleitoreiros. 

Por que? Bom, apesar da autorização para que milhares de escolas sejam construídas, ainda existem mais de 3,5 mil escolas cujas obras não foram concluídas. As “escolas fake”, termo cunhado pela mídia, utilizou recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (cujo chefe é apadrinhado político de Ciro Nogueira, ele mesmo, o Chefe da Casa Civil de Jair). 

Apesar dos anúncios sobre a liberação dos recursos para a construção dessas novas escolas, apenas 1% dos valores haviam sido empenhados até o momento que redijo esse texto (16/05/2022). Ainda vale reforçar aqui que FNDE tem cerca de R$ 114 milhões em recursos próprios para serem utilizados ao longo do ano de 2022 e para que as duas mil escolas prometidas saíssem do papel, seria necessário ao menos R$ 5,9 bilhões em verbas que, acreditem, não vão chegar a pasta da Educação nem pelas emendas do relator (RP9 ou, como apelidado, Orçamento Secreto). 

ANTIPEDAGÓGICO com Paola Costa - Desconhecido pelo MEC - Blog Farofeiros

Ainda vale salientar que outros valores do FNDE têm sido aplicados, digamos, de forma suspeita em redutos eleitorais de Ciro Nogueira e seus apadrinhados políticos. 

Mas se não fosse escandaloso o suficiente o fato de 3,5 mil escolas estarem com obras inacabadas enquanto o governo promete construção de outras 2 mil, o FNDE também esteve à frente de outro escândalo: o beneficiamento de prefeitos com auxílio de dois pastores evangélicos.

Pois é… dois pastores, amigos de Milton Ribeiro, frequentavam livremente o ministério da Educação, apareciam como convidados de honra em eventos e prometiam a prefeitos de cidades interioranas benefícios e liberações de verbas mediante a trocas de, digamos, favores como aquisição de Bíblias e, até mesmo, certas quantias em ouro dos garimpos das pequenas cidades. 

Mas não é só isso… (é amigos, não acabou ainda!).

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) prevê aquisição de caminhões frigoríficos por municípios distantes dos locais de aquisição de alimentos perecíveis. Muitos municípios de pequeno porte não possuem receita para a compra e, por essa razão, se cadastram para receber recursos repassados via FNDE. Por outra coincidência do destino, alguns municípios como Água Branca, em Alagoas, estão aguardando desde 2019 os repasses para adquirir o caminhão frigorífico, enquanto municípios que são reduto eleitoral de correligionários de Ciro Nogueira receberam repasses das chamadas emendas do relator. O detalhe importante é que, quem define para onde esse dinheiro será destinado, e quais critérios serão utilizados, é o próprio FNDE cujo chefe (como já dito) é apadrinhado político do Chefe da Casa Civil.

Mais informações: Twitter Antipedagógico, Twitter Camarote da República, O Globo, Carta Capital e Estadão.

Por Paola Costa

Professora, podcaster e palpiteira. Só falo de temas aleatórios, não reparem a bagunça (ou reparem).

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